O período de convenções partidárias começa na próxima segunda-feira (20) e segue até o dia 5 de agosto. Em Goiás, porém, as principais legendas deixaram a oficialização das candidaturas para a reta final do prazo. Enquanto isso, as lideranças intensificam as negociações para fechar alianças e definir a composição das chapas que disputarão as eleições de outubro. O foco principal está na consolidação dos apoios para as vagas de vice-governador e senador.
Em Goiás, a maior parte dos partidos deve iniciar as convenções somente a partir do dia 30 de julho. Até a conclusão desta reportagem, nenhuma legenda havia confirmado eventos antes desse período. As siglas que disputam protagonismo na eleição estadual optaram por concentrar as convenções nos últimos dias do calendário eleitoral, preservando mais tempo para concluir as negociações políticas.
Embora as negociações ocorram em praticamente todas as legendas, é na base aliada do governador Daniel Vilela (MDB) que se concentram as principais indefinições da disputa estadual. Além da escolha do candidato a vice-governador, o grupo ainda busca um equilíbrio entre quatro pré-candidaturas ao Senado, cenário que tem alimentado discussões sobre um eventual afunilamento da disputa antes das convenções.
Senado
A disputa pelas duas vagas ao Senado tem concentrado boa parte das articulações na base aliada do governador Daniel Vilela (MDB). Nesta semana, ganharam força nos bastidores as discussões sobre uma eventual redução do número de pré-candidatos governistas, diante das pré-candidaturas de Gracinha Caiado (União Brasil), Vanderlan Cardoso (PSD), Gustavo Mendanha (PRD) e Zacharias Calil (MDB). Embora não exista, até o momento, qualquer articulação formal ou pedido público de desistência, prefeitos e lideranças próximas ao Palácio das Esmeraldas defendem, reservadamente, o afunilamento das candidaturas como forma de concentrar a estrutura política da base.
Em meio às negociações da base governista, os pré-candidatos ao Senado percorrem o estado em uma série de encontros com prefeitos e lideranças políticas, em busca de fortalecer as respectivas pré-candidaturas antes das convenções.
Gustavo Mendanha também ampliou as articulações nesta semana. Na quinta-feira (16), o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia esteve em Goianésia, onde anunciou o empresário Carlos Cardoso Filho como primeiro suplente e o Coronel Cardoso como segundo suplente de sua chapa ao Senado. A definição ocorreu durante reunião na casa do empresário Fião de Castro, pai do prefeito Renato de Castro e segundo suplente da pré-candidata ao Senado Gracinha Caiado (União Brasil). A ex-primeira-dama também participou do encontro, ao lado de outras lideranças políticas.
“Estamos dando mais um passo na construção desse trabalho conjunto entre mim e Dona Gracinha. Um projeto baseado no diálogo, no respeito e na parceria com quem conhece de perto as necessidades da nossa gente”, destacou Mendanha.
Gracinha Caiado, por sua vez, também ampliou a agenda política na última semana, participando de uma série de articulações voltadas à consolidação de sua pré-candidatura ao Senado. Entre as atividades estiveram o almoço político articulado pelo presidente estadual do PP, Alexandre Baldy, que reuniu mais de 80 prefeitos, deputados estaduais e dirigentes de entidades municipalistas, e um encontro realizado no diretório estadual do União Brasil, em Goiânia, com a presença de 46 prefeitos aliados. As agendas ocorreram em meio às negociações da base governista para a formação das chapas que disputarão as eleições de outubro.
Ao comentar o cenário da disputa, Gracinha afirmou que, embora tenha defendido a concentração da base governista em duas candidaturas ao Senado, respeita a decisão do governador Daniel Vilela de manter quatro pré-candidatos. “Todo mundo sabe que eu defendi a unidade. Mas tenho respeito pela decisão do governador Daniel, que optou por manter os quatro candidatos. São nomes fortes, que saberão trabalhar bastante pelo Estado de Goiás”, declarou.
Já o senador Vanderlan Cardoso (PSD) também tem reforçado a defesa de sua pré-candidatura à reeleição ao Senado em meio às discussões sobre um eventual afunilamento da disputa na base governista. Na última semana, o parlamentar afirmou que o cenário deve passar por mudanças até a realização das convenções partidárias, mas descartou qualquer possibilidade de abrir mão da própria candidatura.
Para Vanderlan, é natural que parte dos pré-candidatos reveja os planos durante o processo de definição das chapas. “Pode ser que algum ou outro que colocou seu nome por aventura, ou até mesmo acreditando, desista. Estamos firmes nesta pré-candidatura, estamos muito bem-posicionados”, declarou Cardoso.
Governo
Além das discussões para afunilamento ao Senado, na base governista ainda restam definições para o cargo de vice-governador. O MDB de Daniel Vilela e partidos aliados optaram por fazer uma convenção unificada, no próximo dia 5, último dia do prazo, no Centro de Cultura e Convenções, no Centro de Goiânia.
Antes mesmo das convenções, a base governista fez uma última movimentação de articulação, visando demonstrar força política para o início da campanha eleitoral. Em Trindade, foi finalizada neste sábado (18), a série de encontros regionais denominada “Pra Frente Goiás”. Nos bastidores, a principal expectativa gira em torno da definição do candidato a vice-governador, cargo que deverá ser ocupado por um nome do PSD.
Entre os cotados para compor a chapa estão o ex-secretário Adriano da Rocha Lima, o ex-senador Luiz do Carmo e o ex-deputado federal Zé Mário Schreiner. A escolha deve ser anunciada durante a convenção, quando a composição da chapa será submetida à homologação partidária. Em meio ao cenário de indefinições, lideranças políticas afirmam que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teria manifestado a Ronaldo Caiado preferência para que o ex-deputado federal Vilmar Rocha ocupe a vaga de vice na eventual candidatura de Daniel Vilela (MDB) ao governo de Goiás.
Outros partidos
Os partidos de oposição ao governo estadual também mantêm as articulações políticas às vésperas das convenções partidárias. Em diferentes estágios de negociação, as legendas ainda discutem a composição das chapas e as estratégias eleitorais, o que levou a maioria delas a concentrar as convenções nos últimos dias do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
No PT, a pré-candidatura do ex-deputado estadual Luís César Bueno ao Governo de Goiás segue mantida, enquanto o partido ainda negocia a composição da chapa majoritária, especialmente a indicação do candidato a vice-governador. A convenção está prevista para o dia 1º de agosto, prazo que a legenda pretende utilizar para concluir as tratativas com os partidos da federação e demais aliados.
O PSDB, por sua vez, também deixou a convenção para o último dia do calendário eleitoral. O partido, presidido em Goiás pelo ex-governador Marconi Perillo, aguarda o desfecho das negociações envolvendo a formação da chapa majoritária e possíveis alianças antes da oficialização das candidaturas. “As conversas continuam e serão concluídas no tempo certo”, afirmou Marconi Perillo ao comentar a estratégia da legenda para as convenções.
No PL, a situação está mais adiantada. A pré-candidatura do senador Wilder Morais ao Governo de Goiás já foi lançada, mas a legenda também optou por realizar a convenção na reta final do prazo. O foco do partido tem sido concluir a composição da chapa e das candidaturas proporcionais antes da homologação.
O que são as convenções partidárias?
As convenções partidárias são reuniões internas em que os partidos oficializam os candidatos que disputarão as eleições e deliberam sobre a formação de coligações nas eleições majoritárias (governador, vice-governador e senador). Também é nesse momento que as legendas definem a composição das chapas proporcionais para deputado federal e deputado estadual.
Encerradas as convenções, os partidos têm até 15 de agosto para solicitar à Justiça Eleitoral o registro das candidaturas. Nesse intervalo, as legendas formalizam as decisões aprovadas nas convenções, organizam a documentação exigida e apresentam os pedidos de registro, que serão analisados pela Justiça Eleitoral.
Também é nesse período que podem ser apresentadas impugnações aos registros e, quando previstas em lei, realizadas substituições de candidatos. Somente após o deferimento do registro pela Justiça Eleitoral os candidatos estarão aptos a disputar o pleito, salvo as hipóteses em que a legislação permite candidatura com registro ainda pendente de julgamento.

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