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Quem criou o Pix? Entenda como surgiu o sistema em meio à disputa entre Lula e Flávio

Lançado em novembro de 2020, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de cerca de 31 meses, em um projeto que começou em 2018

Tá Rolando no Entorno
Por Tá Rolando no Entorno
Quem criou o Pix? Entenda como surgiu o sistema em meio à disputa entre Lula e Flávio
REDAÇÃO
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O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou na terça-feira (7) de audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos sobre o novo tarifaço proposto ao Brasil, e afirmou que o Pix não é “um problema, mas é uma solução” lançada durante a gestão Bolsonaro e que poderia favorecer empresas americanas.

O debate retoma a pergunta que acompanha o sistema desde seu lançamento: quem criou o Pix?

Lançado em novembro de 2020, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de cerca de 31 meses, em um projeto que começou em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), e atravessou a gestão de Jair Bolsonaro (PL). O trabalho envolveu dezenas de técnicos da autoridade monetária e representantes de mais de 130 instituições financeiras, empresas de tecnologia, fintechs e associações do setor.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que “o Pix é do Brasil”, mas Flávio diz que o sistema “é do Bolsonaro” por ter sido lançado em seu governo. Na Justiça, uma professora reivindica ter desenvolvido a tecnologia que deu origem ao sistema e cobra indenização da autoridade monetária.

COMO SURGIU O PIX

As primeiras discussões sobre um sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparecem em documentos do Banco Central de 2014, quando a autoridade monetária passou a estudar formas de tornar as transferências eletrônicas mais rápidas e baratas. Na época, TED e DOC ainda eram os principais meios para envio de dinheiro entre bancos, com limitações de horário e cobrança de tarifas.

Em 2016, a Agenda BC+, programa criado para modernizar o sistema financeiro, passou a prever medidas voltadas aos pagamentos instantâneos. O então presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já defendia a criação de uma infraestrutura nacional inspirada em experiências internacionais.

O projeto ganhou forma em maio de 2018, quando o Banco Central instituiu, por meio da portaria nº 97.909, o Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos. Naquele momento, o nome Pix ainda não existia, mas o objetivo já era desenvolver uma infraestrutura que permitisse transferências de recursos em poucos segundos, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.

Segundo o BC, cerca de 130 instituições participaram das discussões, entre bancos, cooperativas, fintechs, empresas de tecnologia, associações do setor financeiro, marketplaces e órgãos públicos. O grupo debateu aspectos como segurança, liquidação das operações, experiência dos usuários e regras de funcionamento do futuro sistema.

Em dezembro de 2018, o Banco Central publicou os requisitos fundamentais dos pagamentos instantâneos e assumiu oficialmente a liderança do desenvolvimento da infraestrutura. No documento, a instituição afirmou que o mercado, sozinho, não conseguiria construir um sistema aberto e interoperável, razão pela qual a autoridade monetária passaria a coordenar sua implementação.

Já durante o governo Bolsonaro, o projeto entrou na fase de desenvolvimento tecnológico. Em fevereiro de 2020, o BC apresentou a marca Pix, cujo nome faz referência às palavras “pixel”, “tecnologia” e “transação”, segundo a própria instituição.

Em outubro daquele ano começou o cadastramento das chaves pelos primeiros usuários. O sistema entrou em operação restrita em 3 de novembro e foi liberado para toda a população em 16 de novembro de 2020.

Desde então, o Pix se tornou o principal meio de pagamento eletrônico do país. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram o sistema, que movimenta trilhões de reais por mês e registrou recorde de 313 milhões de transações em um único dia, em dezembro de 2025.

A discussão voltou ao centro do debate público após o Pix passar a integrar a investigação comercial aberta pelo governo Donald Trump contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que políticas públicas relacionadas ao sistema favoreceriam o Pix em prejuízo de concorrentes privados.

No início de junho, Lula exibiu um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil” durante um evento em Goiás e criticou as investidas do governo americano contra o sistema de pagamentos.

Um dia depois, Flávio Bolsonaro apareceu com outro cartaz afirmando que “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.

Na primeira audiência promovida pelo governo americano, realizada na segunda-feira (6), especialistas brasileiros e americanos contestaram as críticas ao sistema. Os participantes classificaram o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos que ampliou a concorrência, reduziu custos para consumidores e empresas e criou oportunidades de negócios também para companhias americanas que atuam no Brasil.

PROFESSORA DIZ QUE PROJETO INSPIROU CRIAÇÃO DO PIX

Desde 2024, a professora e empreendedora Anette Vernaschi Toppan move uma ação contra o Banco Central na qual pede o reconhecimento de que é autora da tecnologia que teria dado origem ao Pix. Ela também cobra indenização por danos morais, danos materiais, lucros cessantes e royalties pela suposta utilização indevida de sua propriedade intelectual.

Na ação, Anette afirma que desenvolveu, ao longo de sua atuação como professora de inglês, um sistema para comercializar produtos digitais e receber pagamentos por telefone celular. O projeto, inicialmente chamado CellToken, utilizava créditos pré-pagos para permitir pagamentos e transferências de valores por meio de celular.

Segundo a autora, o sistema evoluiu posteriormente para uma plataforma denominada “Tá Pago”, desenvolvida em parceria com uma empresa do setor. Ela afirma que, durante o processo para obtenção de autorização de funcionamento da fintech junto ao Banco Central, apresentou documentos técnicos detalhando o funcionamento da tecnologia.

A professora sustenta que essas informações teriam sido utilizadas pela autoridade monetária na criação do Pix sem sua autorização. Ela afirma ainda que registrou a obra na Biblioteca Nacional em 2014, o que, em sua avaliação, comprovaria a autoria sobre a metodologia empregada pelo sistema de pagamentos.

Na petição inicial, Anette chegou a pedir que a Justiça suspendesse o funcionamento do Pix em todo o território nacional até o julgamento da ação.

O Banco Central rejeita as alegações. Na contestação apresentada ao processo, a instituição afirma que sistemas de pagamentos móveis já existiam antes do projeto desenvolvido pela professora e sustenta que o Pix foi resultado de um processo próprio de desenvolvimento técnico e regulatório conduzido pela autoridade monetária ao longo de vários anos.

O BC também argumenta que a discussão não envolve patente de invenção, mas uma alegação de violação de direitos autorais, e nega que tenha utilizado qualquer projeto da autora para desenvolver o sistema.

Em uma das primeiras decisões do processo, a Justiça determinou que a professora comprovasse os requisitos para obtenção da gratuidade judicial antes de analisar os demais pedidos.

Mais recentemente, o juiz responsável pelo caso negou o pedido da autora para produção de perícia técnica e para apresentação de documentos adicionais pelo BC. Na decisão, entendeu que os documentos já reunidos no processo são suficientes para análise da controvérsia e que a discussão poderá ser resolvida com base nas provas existentes.

O magistrado determinou que o Banco Central apresente traduções juramentadas de documentos em língua estrangeira anexados à defesa, para que possam ser considerados no julgamento.

FONTE/CRÉDITOS: Glaucio teixeira / Redação

FONTE/CRÉDITOS: REDAÇÃO

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