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Segurança pública, saúde e educação estiveram em pauta durante debate com os candidatos ao governo de Goiás neste domingo (30/8), em Goiânia. Estiveram presentes quatro governadoreáveis: Daniel Vilela (MDB), Luis César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). A candidata Luciana Amorim e o candidato Danilo Pinheiro não foram convidados em razão dos partidos Unidade Popular (UP) e Partido da Causa Operária (PCO) não terem representação no Congresso Nacional.
Os temas são considerados prioritários nas campanhas dos candidatos e, com isso, o debate foi marcado por criticas a adversários e também apresentação de propostas. Este é o primeiro realizado após o início oficial da campanha eleitoral em 16 de agosto.
O debate foi divido em quatro blocos, com três momentos de confronto direto entre os candidatos. Os tempos de resposta, réplica e tréplica foram controlados eletronicamente. O último bloco foi reservado para que os governadoreáveis realizassem considerações finais.
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O evento foi realizado pela PUC TV Goiás, em parceria com a Rádio Difusora e o Portal Diário de Goiás.
1º bloco
Tema livre – confronto direto
O candidato sorteado para a primeira pergunta foi Luis César Bueno (PT), que escolheu para resposta o candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB). O questionamento foi direcionado à revogação da taxa do agro, criada em 2021 e revogada em 2026 pelo ex-governador Ronaldo Caiado.
No direito de resposta, Daniel Vilela argumentou que a criação do Fundeinfra, popularmente conhecido como taxa do agro, se deu em razão da necessidade de obras estruturantes. Além disso, ponderou que foi importante para a criação de uma carteira de projetos que, segundo o emedebista, será uma alternativa de competitividade para os goianos em razão do final dos incentivos fiscais que ocorrerão em 2032, devido à reforma tributária, aprovada em 2025 pelo Congresso Nacional.
Em réplica, o candidato do PT disse que a reforma tributária foi relevante para a unificação do processo tributário no País e para dar fim à guerra fiscal. Luis César Bueno, portanto, questionou sobre a taxação do agronegócio e a posterior campanha do emedebista em prol do setor. Nesta ocasião, Daniel Vilela disse reconhecer a crise enfrentada pelo agro goiano e brasileiro, atribuindo a isto o motivo da revogação do Fundeinfra e garantindo que a cobrança da taxa não será retomada.
Segunda pergunta
Ainda no tema livre, Daniel Vilela (MDB) foi o segundo sorteado para realizar perguntas aos demais candidatos. O emedebista escolheu Wilder Morais, do PL, e questionou sobre as propostas à segurança pública. Em direito de resposta, Morais reconheceu que houve melhora significativa na área, entretanto, mencionou altos índices de feminicídio como pontos de melhoria. O candidato do Partido Liberal também afirmou que ainda existem municípios sem delegacias instaladas, citando também a necessidade de valorização das forças de segurança. Neste sentido, Wilder disse que pretende, se eleito, continuar com o “que está dando certo e melhorar o que precisar”.
Em direito à réplica, Daniel contestou a fala de Wilder sobre a necessidade de convocação de novos profissionais e mencionou que mais de cinco mil servidores foram chamados para as forças de segurança do Estado ao longo dos últimos anos. O emedebista também afirmou que 167 municípios não tiveram homicídios em 2026. Além disso, ressaltou que a inteligência operacional da polícia abrange todo o território goiano, atribuindo a isto a redução dos índices criminais. Daniel também reforçou que, quando assumiu a gestão estadual, criou o pacote de valorização dos servidores da área. Ainda neste sentido, prometeu continuar com a “política de tolerância zero contra a bandidagem”.
Em direito de resposta, Wilder Morais questionou se Vilela não tem propostas para o combate ao feminicídio e fez promessas de políticas de proteção às mulheres, com “acompanhamento desde o primeiro momento na delegacia”, além de assistência social.
Terceira pergunta
O terceiro sorteado para a pergunta foi Wilder Morais (PL), que perguntou a Luis César Bueno (PT) sobre a proposta de retirada das OSS da saúde estadual e também da realização de concursos. O petista, por sua vez, respondeu que é a área mais preocupante e que há a necessidade de intervenção do Estado. Em direito de resposta, Bueno afirmou que é preciso profissionalizar todo o setor, retirando-o da terceirização de forma gradual.
Wilder novamente perguntou de que maneira o candidato do PT pretende trabalhar para reduzir a fila das cirurgias eletivas. Luis César ponderou que primeiro há a necessidade de resolver o “gargalo no sistema de saúde” e voltou a dizer que é preciso profissionalizar a estrutura do Estado para garantir um serviço eficiente e defendeu a realização de concursos públicos de forma gradual, transformando as OSS em serviço público de saúde.
Quarta pergunta
A quarta pergunta foi realizada pelo ex-governador Marconi Perillo, do PSDB. Em oportunidade, o tucano direcionou sua pergunta ao senador Wilder Morais (PL) e o questionou de que maneira pretende trabalhar em relação à política fiscal de Goiás em caso de possível déficit em 2026. O candidato do Partido Liberal citou o incentivo à produção do agronegócio, o acompanhamento do pequeno e médio produtor, ao comércio e à indústria para o aumento da receita no território goiano e, assim, driblar uma possível crise na economia.
Marconi Perillo também questionou sobre a folha de pagamento e relembrou gestões passadas. Neste sentido, Wilder Morais prometeu uma revisão de contratos no governo e reafirmou que pretende incentivar a produção no Estado, com atração de investimentos.
2º bloco
Temas definidos por sorteio
No segundo bloco, temas como infraestrutura, mercado internacional, educação e esporte foram predominantes. Os temas e a ordem dos candidatos que realizaram as perguntas foram definidos por sorteio.
Rodovias
O candidato sorteado para a pergunta sobre rodovias foi o senador Wilder Morais (PL), que direcionou sua pergunta a Marconi Perillo (PSDB). Na ocasião, o tucano foi questionado se pretende retomar o quadro técnico da Agência Goiana de Infraestrutura (Goinfra) e de que maneira pretende, se eleito, trabalhar na infraestrutura da malha viária do Estado. Perillo, por sua vez, relembrou obras realizadas durante seu terceiro governo, no qual Wilder Morais foi secretário de Infraestrutura, e mencionou projeto de estruturação rodoviária à época. Ele também prometeu construir mais de 400 quilômetros de rodovias duplicadas e 3 mil de rodovias para escoamento de produção, além de investimentos no sistema portuário e infraestrutura de energia. No entanto, utilizou a maior parte do tempo de resposta para criticar a atual gestão. Já Morais ressaltou que pretende, se eleito, trabalhar com a reserva de recursos para a realização de manutenções na malha viária estadual.
Mercado internacional
O candidato sorteado para a pergunta relacionada ao mercado internacional foi o governador Daniel Vilela (MDB). Ao citar o programa Investe GO, que visa à competitividade e à inovação, o emedebista questionou Luis César Bueno (PT) sobre propostas para as relações comerciais do Estado. Em resposta, o petista destacou o potencial do estado para a atração de investimentos e argumentou ser necessária uma articulação com investidores internacionais e locais, no sentido de adotar o procedimento de industrialização, para que o território goiano não seja apenas exportador de matéria-prima, mas que também sejam processados dentro do Estado, ao fazer menção às terras raras. Daniel Vilela destacou que tem como objetivo a captação de investimentos para agregar valor às commodities em Goiás, ampliando a geração de renda, oportunidades e emprego. Segundo ele, o Investe GO será uma ferramenta, como uma janela única para que os investidores obtenham informações sobre licenciamento e instalação no Estado.
Educação
Para este tema, o candidato sorteado para realizar a pergunta foi Luis César Bueno (PT), que perguntou a Wilder Morais (PL) como pretende trabalhar para valorização dos trabalhadores da Educação e também para a ampliação de escolas em tempo integral no Estado. O candidato do PL, por sua vez, contou sua trajetória e afirmou que a Educação é a “única ferramenta para o desenvolvimento de uma nação”. Segundo ele, haverá “muito trabalho” para a valorização dos profissionais e mencionou incômodo com a situação fiscal da atual gestão para o próximo ano. Wilder Morais também disse que, se eleito, o primeiro passo será realizar levantamentos de demandas para avaliação de recursos. Ainda na ocasião, Luis César Bueno argumentou que, como professor por formação, há uma sobrecarga dos profissionais da Educação e que é necessário investir em conhecimento de qualidade. Ele defendeu que é preciso realizar uma recuperação nas escolas como função de Educação para valorização dos professores.
Esporte e lazer
Por fim, para finalizar o segundo bloco, o candidato Marconi Perillo (PSDB) direcionou sua pergunta ao governador Daniel Vilela (MDB). Na oportunidade, o tucano fez críticas à concessão da gestão do estádio Serra Dourada à iniciativa privada e questionou se o emedebista vai continuar com esse modelo nos próximos anos. Daniel Vilela rebateu Marconi Perillo, que atribuiu a concessão da gestão com venda. O emedebista explicou que, na verdade, foi realizada uma concessão e que a iniciativa privada vai investir R$ 500 milhões ao longo de 30 anos. Ele também afirmou que o leilão foi realizado na Bolsa de Valores, em São Paulo, e que a iniciativa visa melhorias no Complexo de Lazer para atração de jogos e eventos.
3º Bloco
Embates com perguntas livres
Daniel Vilela x Luis César Bueno
Daniel Vilela (MDB) foi sorteado para a primeira pergunta do 3º bloco. Na ocasião, ele mencionou que Goiás registra sete escolas entre as dez melhores do Brasil e questionou Luis César Bueno (PT) sobre quais propostas pretende priorizar na Educação.
Em direito de resposta, o petista defendeu a necessidade de ensino de qualidade no contexto do Estado. Ele citou investimentos realizados pelo governo federal no Estado, como a Universidade Federal de Jataí e a Universidade Federal de Cidade Ocidental, e também os hospitais universitários. Segundo ele, caso eleito, será estabelecido que todas as escolas sejam de tempo integral e transformar parte das unidades escolares em ensino profissionalizante, com foco em oportunidades de emprego e renda após a conclusão do Ensino Médio.
Na ocasião, Daniel Vilela também defendeu que o governo deve alcançar a plenitude da educação em tempo integral e também investir em ensino profissionalizante. O emedebista citou a criação do Centro de Ensino Profissionalizante Paulo Vargas e afirmou que o objetivo é a ampliação de cursos, especialmente voltados para as áreas de tecnologia. Também mencionou a criação da Escola do Futuro e fez promessas de manutenção destes programas.
Luis César Bueno x Marconi Perillo
Luis César Bueno (PT) questionou Marconi Perillo (PSDB) sobre qual seria sua política fiscal do Estado, caso eleito. O tucano, por sua vez, usou parte do tempo para novamente criticar a gestão do governador Daniel Vilela. Somente ao final do tempo, Marconi discorreu sobre a pergunta realizada, no entanto, também sobre o atual governo e não mencionou qual seria sua linha de atuação.
Marconi Perillo x Wilder Morais
Marconi Perillo (PSDB) perguntou a Wilder Morais (PL) quais seriam as propostas para os jovens que estão no Ensino Médio e também para os universitários que estudam em universidades particulares.
O candidato do PL iniciou a resposta ao destacar que Goiás é um estado rico e que tem como proposta “levar essa riqueza às casas dos goianos”. Morais ressaltou que é necessário mão-de-obra qualificada para o que chama de industrialização do Estado. Ele disse que tem a proposta de profissionalização dos jovens, com oferta de cursos para oportunidades, especialmente ao primeiro emprego. Wilder também discorreu sobre a criação de cursos de acordo com a vocação econômica de cada região, para que o jovem não precise sair dos municípios localizados no interior do Estado e se deslocar para a Capital para seguir os estudos.
Marconi Perillo, por sua vez, disse que a primeira iniciativa no tema será a reestruturação da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Além disso, mencionou o programa de bolsa universitária. Também fez promessas de criação de um programa para os jovens do Ensino Médio que garantirá, nas palavras dele, o pagamento de meio salário mínimo mensal para a redução da evasão escolar.
Wilder Morais x Daniel Vilela
O candidato do PL, Wilder Morais, perguntou a Daniel Vilela (MDB) qual seria a solução para a redução da fila de espera para cirurgias eletivas no Estado. Ele destacou que pessoas passam anos à espera de um procedimento.
Na ocasião, Wilder Morais, por sua vez, prometeu um programa de fila única, com a criação de uma tabela para aceleração da fila de espera. O senador disse ainda que, se o Estado não der conta, caso seja eleito, vai buscar parcerias com a iniciativa privada.
Daniel Vilela ressaltou a regionalização da saúde, com aumento de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e também disse que o Estado realizou 35 mil cirurgias eletivas em 2025, entretanto, a cada ano surge a necessidade de outras 25 mil, se embasando em dados do Ministério da Saúde. O emedebista fez promessas de ampliação dos procedimentos, ao mencionar que serão realizados também no prédio do novo Hugo.
Vilela também rebateu o senador e afirmou que em Goiás já existe um programa de fila única, ao afirmar que o território goiano foi o primeiro a unificar o sistema entre as demandas do município e a do Estado. O emedebista também disse que já há uma tabela para os procedimentos na iniciativa privada.

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