A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta sexta-feira (22) joga luz sobre o tabuleiro político de Goiás, mas também deixa claro quem está jogando com cartas melhores. Se a eleição fosse hoje, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) lideraria a disputa com 26% das intenções de voto. Em segundo aparece o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), com 22%, seguido de Wilder Moraes (PL), 10%, e Adriana Accorsi (PT), 8%. O empresário Telêmaco Brandão (Novo) marca 1%. Indecisos, brancos e nulos somam expressivos 33%, o que mantém o cenário aberto.
O peso da máquina e a força de Caiado
A vantagem de Daniel não é apenas numérica: ela é política. Em 2026, o emedebista disputará com a máquina estadual a seu favor, terá o apoio de mais de 160 prefeitos e ainda contará com o apadrinhamento direto de Ronaldo Caiado (União Brasil), atual governador que ostenta 88% de aprovação — o melhor índice do país. Em outra pesquisa, 72% dos eleitores afirmaram que votariam em um candidato apoiado por Caiado. Essa combinação praticamente garante a Daniel um colchão eleitoral robusto, difícil de ser rompido.
O “jabuti no poste” tucano
Marconi Perillo aparece tecnicamente próximo de Daniel no levantamento, mas trata-se de uma miragem. O tucano já demonstrou não ter lastro popular: na última eleição para o Senado, ficou em terceiro lugar, derrotado de forma vexatória para quem governou Goiás por quatro mandatos. Seu nome ressurge pela força da lembrança, mas não pela capacidade de crescimento. A verdade é que Marconi é hoje um “jabuti no poste”: ele está lá pelos quase 20 anos que comandou Estado, porém, são os 20% que esqueceram dos anos de corrupção em que Goiás vivia sobre comando da criminalidade, da falta de saúde e com estradas intransitáveis, ou por muitos que se beneficiaram do caos de alguma forma.
Um jogo de dois tempos
Enquanto o grupo caiadista parte para consolidar a hegemonia com Daniel Vilela, Marconi aposta em um discurso de retorno que não encontra eco no eleitorado. Wilder Moraes e Adriana Accorsi representam nichos ideológicos, mas sem potencial, neste momento, de romper a polarização entre governo e o resquício tucano.
O cenário, portanto, aponta para um embate centralizado na força do governo estadual. Com a aprovação recorde de Caiado e a estrutura administrativa nas mãos, Daniel Vilela tem tudo para transformar a atual vantagem em liderança definitiva até 2026. Já Marconi, apesar de aparecer nas pesquisas, segue, repito, sendo apenas o jabuti no poste da política goiana.

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