No condomínio onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde agosto, um churrasco com picanha, vinho e cerveja na última sexta-feira virou motivo de briga no grupo de WhatsApp dos moradores. A comemoração organizada para celebrar a condenação do ex-presidente pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal dividiu a vizinhança.

Outro foi mais direto: “Não vamos permitir esse tipo de comemoração no condomínio”.
Outros tentaram aliviar: “Não fiz, mas abri um vinho”, recebeu a réplica sarcástica: “O erro foi não compartilhar”.
Enquanto alguns tentavam rir da situação, outros elevaram o tom. “Se continuar assim, vou pedir a exclusão de quem provocou essa situação”, avisou um vizinho.
Houve também tentativas de apaziguar. Um morador escreveu: “Tá dentro da casa da pessoa, tá em paz. Não incomodando ninguém e nem infringindo nenhuma lei do condomínio. Logo, paz!”. Mas o apelo não teve efeito.
No meio da confusão, sobrou para o administrador do grupo tentar acalmar os ânimos. Ele pediu calma e lembrou que o espaço não era arena política, mas avisou sobre possíveis punições: “Só vi agora essa vergonha que fizeram ontem. Essa é a última vez que aviso. Na próxima, removerei do grupo”.
Na última quinta-feira, Bolsonaro foi condenado por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena de 27 anos e 3 meses foi recebida como marco histórico pelos opositores — e como tragédia pelos apoiadores.
Além do impacto político, a presença de Bolsonaro em prisão domiciliar já gerou irritação entre vizinhos, que relatam que o sossego se perdeu com a presença constante de policiais e da imprensa. O contraponto também é verdadeiro: parte da vizinhança avalia que o policiamento tornou o condomínio de alto padrão, localizado no bairro nobre do Jardim Botânico, ainda mais seguro.

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